sexta-feira, 15 de outubro de 2010

URGENTE SOLICITAMOS AO MPF, JUIZES FEDERAIS, AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA E AO OUTROS PODERES DO BRASIL 15/10/2010


TEKOHA YPO’Y-PARANHOS-MS, 13 DE OUTUBRO DE 2010.
AO:  MPF,  JUIZES  FEDERAIS, AO  PRESIDENTE DA REPÚBLICA E AO OUTROS PODERES DO BRASIL

ASSUNTO: Denúncia e Reivindicação de conclusão de identificação de Terra Indígena Tekoha Guasu  YPO I, localizada no Município de Paranhos/MS.
DE: Lideranças e representantes de comunidades Guarani Ñandeva de Tekoha  YPO I.
Senhores  PROCURADORES  E  JUIZES FEDERAIS,

Nós lideranças e membros das comunidades indígenas Guarani-Ñandeva aproximadamente 1000 pessoas pertencente ao Tekoha YPO I , no dia 19 de agosto de 2010, decidimos retomar o nosso território tradicional YPO’I, desta vez, já retornamos definitivamente para permanecer em nosso tekoha, custa o que custar, não sairemos vivos de nossa terra, aqui voltamos para morrerem se for necessário, assim garantiremos a vida e futuro de nossas crianças  Guarani, por isso daqui não sairemos nem morto, se acaso fomos todos mortos, em poucos dias, por conta de ações dos fazendeiros e pistoleiros, até agora eles que manda mais do que JUSTIÇA , pedimos a todas autoridades que sejamos enterrados aqui mesmo em que estamos hoje, definitivamente é essa a nossa decisão, ficaremos aqui vivo ou morto, por essa razão vimos comunicar a Vossas Excelências de nossa decisão e manifestação como povo guarani injustiçados.   Nós povos guarani, a nossa história foi perverso e cruel marcada pela morte e massacre truculenta praticado pelos fazendeiros-invasores, ocorreu desde 1500 até os dias de hoje. Nós fomos vítimas de despejos e violências cruéis ocorrido entre os dias 01 e 03 de outubro de 2009, naquele momento fomos massacrados, torturados e vitimas de tiroteios praticados por pistoleiros contra nos, foram também capturados os dois professores: Rolindo Vera e Genivaldo Vera consequentemente foram assassinados truculentamente.
 Em virtude do fato, vimos através deste documento denunciar e manifestar aos senhores autoridades mais uma vez as nossas demandas urgentes e a última decisão.
1-Conclusão imediata de identificação de nosso território,.
2- Solicitamos a medida de seguranças para nossa integridade física e ritual cultural como Polícia Federal e segurança Nacional. Hoje estamos cercados de pistoleiros armado-
3 Pedimos também assistência médica  além de assistência alimentar para nossa existência, conforme os nossos direitos constitucionais. Visto que no momento, agora não temos assistência nenhuma por parte dos órgãos públicos, e os fazendeiros colocaram pistoleiros armados para nos intimidar, fazendo tiroteios todos os dias em torno de nossas barracas.    

Por fim, nesse sentido amplo, aos juízes federias estamos demandando o cumprimento de todos os itens de nossos direitos humanos constitucionais para garantir a nossa sobrevivência como seres humanos.
Nos lideranças e comunidades Guarani de YPO I assinamos em anexos


Fonte da notícia: comunidade Ypo I

Povo Guarani Kaiowá: o clamor pela vida!

Por dom Erwin Kräutler

 
Erwin Kräutler e menina Guarani Kaiowá

Dor, desespero, insegurança e absoluta descrença no poder público marcam a vida e a trajetória de milhares de famílias do povo Guarani Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, estado onde vive a segunda maior população indígena do país. De lá chegam denúncias de trabalho escravo nos canaviais e usinas de álcool lá um boi no pasto vale mais do que uma criança indígena. Os indígenas estão confinados em pequenas áreas. Os índices de suicídio entre jovens, por falta de perspectiva de futuro são alarmantes. A mortalidade infantil é de 34 óbitos por 1.000 nascidos, em função das precárias condições de saneamento.

De lá nos chegam todos os dias notícias sobre espancamentos e assassinatos de indígenas. As terras não foram demarcadas porque ao governo federal falta vontade de enfrentar os donos de latifúndios devido a pressões políticas. Usineiros escravocratas são tratados como se fossem heróis da pátria.

Assistimos estarrecidos à tragédia em que vive a comunidade Guarani Kaiowá Ypoí, sitiada em uma minúscula área, cercada por pistoleiros armados. Mesmo que atualmente essa informação venha sendo divulgada pela imprensa, nem a Funai, nem a Polícia Federal, nem o Ministério da Justiça, nem o presidente da República tem se pronunciado a respeito ou, pelo menos, esboçado uma ação para punir os criminosos.

A história de violências contra a comunidade de Ypoí é tão antiga quanto sua luta pela demarcação e garantia das terras, Em outubro de 2009 os indígenas foram atacados e expulsos de suas terras ancestrais. Na ocasião, os professores Genivaldo Vera e Rolindo Vera foram arrastados por homens armados. Dias depois, Genivaldo Vera foi encontrado morto, boiando em um riacho. O paradeiro de Rolindo vera é ignorado até hoje.

Como bispo do Xingu há trinta anos e presidente do Cimi em vários mandatos, tive a oportunidade de acompanhar as lutas dos povos indígenas pela defesa de seus direitos fundamentais, em especial à vida. Preocupa-me imensamente a situação de violação de direitos a que estão submetidos os Guarani Kaiowá. Só me resta exclamar: por que tanto despreza com os povos indígenas? Por que as 324 terras reivindicadas pelos povos indígenas do Brasil, a maioria em Mato Grosso do Sul, continuam sem nenhuma providência?

Cabe ao governo federal dar respostas a essas questões. É de sua responsabilidade prestar assistência aos povos indígenas, estruturar uma política que restabeleça as condições de segurança e de dignidade para esses povos, em particular aos Guarani Kaiowá. O governo tem obrigação constitucional de demarcar as terras e fiscalizá-las, assegurando o usufruto exclusivo aos indígenas, conforme determina nossa Carta Magna no artigo 231, parágrafos 1 a 6°.

Infelizmente, as respostas têm sido dadas apenas quando se estabelece o conflito e, ainda assim, mediante meros paliativos que nem de longe apontam para a definitiva solução: a garantia das terras indígenas. O governo, omisso e negligente, aparentemente não se deixa impressionar pela cruel situação dos Guarani Kaiowá. Fecha os olhos diante de mais um genocídio em curso que envergonha o Brasil e tapa os ouvidos diante dos gritos ensurdecedores desse povo. Para reverter essa situação calamitosa, urge uma grande mobilização nacional que possa contar também com o apoio de organizações internacionais dedicadas às causas democráticas e aos direitos humanos.

Fonte: CIMI - http://www.cimi.org.br/